domingo, 13 de outubro de 2013

TEMOS QUE REDEFINIR MISSÕES!


por Andrew Peat
Missionário Batista da Califórnia da Aliança Cristã - USA

Eu sou um missionário fazedor de tendas de uma igreja da Aliança Cristã e Missionária na Califórnia. Tenho lecionado Inglês no campo da China por 10 anos. No momento me encontro mais exatamente num grupo de ilhas abandonadas entre Taiwan e a China, onde trabalho com a igreja Batista local, o presídio e o Movimento AD2000 em Taiwan. A população cristã aqui é de 0,5%.
Alguns estudiosos de missões têm rigorosamente definido missões restrigindo-as às suas expressões transculturais. Isto não é nem bíblico, nem prático, nem realístico em muitos campos da Janela 10/40. Eu defino “missões” simplesmente como levar o Evangelho aonde ele ainda não é conhecido. Aqueles que fazem isso são com justiça chamados “missionários”.
Descobri um jeito novo
Eu não estava previamente envolvido com missões nativas. Ninguém me falou sobre isso, nem eu havia lido a respeito. Eu apenas soube que havia milhares de “missionários” estrangeiros em Taiwan que necessitavam levantar um montante descomunal para seu sustento. A maioria deles estava plantando muito pouco ou nenhuma igreja ou fazendo trabalhos evangelísticos; na prática alguns deles ainda eram verdadeiramente incapazes de formar discípulos para o nosso Senhor Jesus Cristo.
Francamente, a maioria dos “missionários” procedentes de países desenvolvidos não está envolvida em plantação de igrejas, e muito poucos estão basicamente comprometidos em alcançar os grupos de pessoas não alcançadas, apesar de haver poucas excelentes exceções.
Eu compartilhei minhas preocupações com uma dedicada igreja Batista aqui, e eles adotaram a mesma visão. No início começamos a sustentar trabalhadores chineses, mas eu não tinha idéia de como prosseguir. Pensei em formar minha própria organização para sustentar missionários nativos. Então li um anúncio da Gospel for Ásia. Em seguida nós descobrimos a Christian Aid. Agora esta pequena igreja (40 participantes em média), que antes nem de longe havia pensado em enviar ou sustentar missionários, está sustentando mais de 30 missionários por toda a Ásia, Ucrânia, China Continental, e Cuba. E também está ajudando na compra de Bíblias na Mongólia e no Camboja, na construção de igrejas na Índia e Burma, e na tradução da Bíblia na Índia. Nós fizemos tudo isso nos últimos dois anos - através de missões autóctones.
A visão se espalha
Nós compartilhamos nossa visão com o Movimento AD2000 em Taiwan. Aqueles irmãos e irmãs sentiram que isto vinha da parte de Deus. Nos últimos 15 meses, os crentes de Taiwan têm deixado de sustentar uns poucos missionários estrangeiros na China para sustentar cerca de 1000 missionários autóctones em toda a Ásia. Pessoas que nunca imaginaram que poderiam estar envolvidas com missões, agora estão intimamente comprometidas. Cada missionário nativo que nós sustentamos, normalmente planta uma igreja a cada um ou dois anos. A força missionária nativa na Índia produz em média seis igrejas por dia, principalmente em áreas ainda não alcançadas. Eu não conheço nenhum grupo missionário de uma nação industrializada que se aproxime disso.
Eu vi exatamente o contrário. Um amigo meu, que tem sido missionário na América do Sul, África e Taiwan por 20 anos, mas nunca plantou uma igreja, me disse recentemente, “Os últimos 20 anos no campo me tem proporcionado um grande crescimento pessoal”. Eu não estou zombando.
Baseado nos valores atuais do sustento missionário para uma família no campo (aproximadamente US$ 60,000 por ano), isso seria algo em torno de um milhão de dólares americanos para uma experiência de crescimento pessoal. E esse fenômeno não é nem atípico nem está limitado a Formosa.
Em contraste a isto, valores fornecidos pela India Missions Association mostram que US$ 1 milhão financiaria completamente seu programa de seis anos para tradução do Evangelho nos 100 principais idiomas indianos. Isso incluiria até mesmo os custos de primeira edição.
Portanto temos que fazer uma escolha: Gastar US$ 1 milhão para sustentar um missionário americano e sua família por 20 anos para que tenham uma experiência pessoal de crescimento, ou usar esse dinheiro para financiar a tradução dos Evangelhos para 100 idiomas que hoje não têm a Bíblia. Meu entusiasmo por missões autóctones não vem de um idealismo ingênuo, mas de um exame rigoroso da realidade. Financiando missões nativas
Se apenas 10 por cento do montante gasto com missões tradicionais fosse redirecionado para missões nativas viáveis, o volume do trabalho realizado aumentaria 10 vezes.
A edição de 1995 do Manual de Missões registra que todas as agências missionárias e denominações doaram US$ 2,04 bilhões para missões estrangeiras. Durante o mesmo período, as três maiores agências americanas que financiam missões autóctones (Gospel for Ásia, Partners International, and Christian Aid) receberam cerca de US$ 20 milhões. Se o “dízimo” de todas aquelas missões fosse doado para sustentar ministérios nativos, isso forneceria cerca de US$ 20 milhões. Que diferença isso faria!
Acalmando falsos temores
Algumas pessoas temem que se o suporte ocidental para missões for incrementado, os cristãos nativos iriam perder a chance e o compromisso de sustentar seus próprios missionários.
Tanto quanto eu posso calcular, o montante doado pela América do Norte para missões nativas é suficiente para sustentar 10% dos missionários no campo. O que ainda deixa 90% deles para serem sustentados por seu próprio povo.
A verdade é que crentes em países miseráveis na Ásia, África e em qualquer lugar superam os americanos em seu compromisso com doações. A maioria dos americanos distribui suas sobras, enquanto cristãos no Terceiro Mundo abrem mão de alimentos, brinquedos para suas crianças, bicicletas necessárias para transporte, a fim de poderem sustentar missões. Um estudante da Escola Bíblica desistiu de comprar sapatos e andava descalço assim ele poderia sustentar um missionário!
Além disso, muitos pioneiros missionários nativos pregam para comunidades hostis, onde um pequeno sustento local é obtido. Suas crianças têm realmente morrido pela falta de alimento e cuidados médicos; outros há que tem estado sem casa por meses, vivendo nas ruas; alguns não têm sequer um simples instrumento ou bicicleta para ajudá-los a testemunhar o Evangelho. Missionários da Blessing Youth Mission na Índia devem trabalhar cinco anos antes de merecer um gravador! E nós debatemos filosoficamente se eles são realmente missionários! Cristãos Americanos podem ajudar a compensar essa carência.
Completando a tarefa
Alguns duvidam de que os missionários nativos possam terminar a tarefa. Que tal uma dose de realismo? Deixando de lado que a Índia proíbe missionários estrangeiros, vamos conferir a história. Eles mandaram missionários estrangeiros por 300 anos para alcançar os primeiros 300 grupos de pessoas na Índia com populações acima de 10.000.
Missionários nascidos e criados na Índia têm alcançado mais de 200 outros grupos nos últimos 35 anos. Eles esperam alcançar mais 100 através da AD2000. Se isso acontecer, eles terão feito em 40 anos o que missionários estrangeiros levaram 300 anos para fazer.
O ministério Indian Institute of Missiology declara: “Os líderes de missões estão agora convencidos de que todos os grupos de pessoas e aldeias na Índia podem ser alcançados passando-se aos jovens a visão para plantar igrejas e treinando-os”.
Então, por que limitar missões àqueles que cruzam as fronteiras internacionais? E lembre-se que a maioria dos países dentro da janela 10/40 restringe ou proíbem completamente a presença de missionários estrangeiros. Dessa forma, se não apoiarmos nossos irmãos e irmãs nativos dessas áreas, estaremos negando o Evangelho para estes povos. Assim, vamos redefinir “missionários” como “aqueles que levam o Evangelho para regiões ou povos não alcançados”.
Esta redefinição poderá também reverter as estatísticas missionárias. Então 80% dos missionários do mundo viriam de fora dos EUA, Canadá e Europa.
Olhando além
Se nós quisermos levar o Evangelho até os confins da terra o mais rápido possível, vamos esquecer as discussões acadêmicas e começar a agir como um corpo em Cristo. Dezenas de milhares de pessoas morrem diariamente sem nunca ter ouvido falar no Evangelho - eles não foram alcançados! Neste caso, não importa se o missionário é transcultural de acordo com as definições missiológicas.
Missão é simplesmente levar o evangelho aonde ele ainda não chegou.

Vamos continuar a tarefa!

Texto extraido do CURSO EVANGELIZAÇÃO MUNDIAL
Ministrado pelo Pr. Dr. Rubecy Ferreira de Oliveira 
Realizado na Sede Brasileira da Cristian Aid.
drrubecy@hotmail.com

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