domingo, 13 de outubro de 2013

PARTE I - APOSTOLO PAULO E MISSÕES?


Por Sérgio Silveira
 Christian Aid Brasil
Quando falamos de Saulo Paulo de Tarso na Igreja atual temos duas visões distintas: a retratada por Lucas em Atos, o missionário; e a do autor das cartas paulinas. Raramente avaliamos que os dois são a mesma pessoa. Antes de avaliarmos como foi o ministério integral de Paulo, e suas conseqüências para igreja contemporânea, precisamos nos ater a dois pontos pouco explorados quando estudamos atos e missões. Uma ligada à semântica e outra de viés histórico.
A questão semântica é o significado da palavra “Gentio”: que ou aquele que professa o paganismo; idólatra; que ou aquele que não é civilizado; selvagem; entre os hebreus, que ou aquele que é estrangeiro ou não professa a religião judaica
Isto que dizer que podemos interpretar “Gentio” como estrangeiro ou como idólatra. No primeiro século os judeus usavam a palavra “gentio” para definir os idólatras ou incircuncisos, em Mt 6.32 vemos um exemplo desta situação na versão Almeida Revista e Atualizada (ARA) é utilizada a palavra gentio, já na Bíblia Viva (BV) a palavra encontrada é pagãos. Podemos notar claramente esta situação pelo tratamento dado aos companheiros de Paulo (convertidos, estrangeiros e incircuncisos), que apesar de irmãos em Cristo, eram tratados como gentios. Isto levou a reunião em Jerusalém (At 15.1-35) para resolver o problema de convivência de judeus cristãos, que seguiam a lei mosaica, com ex-gentios cristãos, que não obedeciam à lei de Moises por que ela era para os judeus. Segundo Finley (2005) o que levou as pessoas ao adotarem da alcunha “Cristão” (At 11.26), em Antioquia, foi a necessidade de nomear o grupo de discípulos de Cristo (incluindo judeus e gregos), diferenciando os novos convertidos gregos (crentes em Cristo e consequentemente no Deus dos judeus) dos estrangeiros idólatras (gentios) e dos próprios Judeus e prosélitos (circuncidados), já que os novos convertidos não haviam sido circuncidados. Isto fica mais claro se notarmos que o tratamento dado ao eunuco (prosélito, At 8.26-40) e aos samaritanos (samaritano, Lc 10.25-37 / mulher samaritana, Jo 4.1-38) não era de gentios (estrangeiros), pois não eram considerados idólatras e sim parte do povo hebreu.

EDUCAÇÃO DE PAULO
Outro aspecto a ser considerado é a educação de Paulo, sem levar em conta que como judeu ele teve uma educação farisaica, podemos notar a capacidade de comunicação dele em grego e latim, seu conhecimento de filosofia grega e direito romano. Mais de uma vez Paulo se utiliza da condição de “nascido” romano (patrício-cidadão de Roma) para assegurar um tratamento diferenciado e até para ir a Roma atender as necessidades da iniciante e crescente Igreja da capital do império. Independente de ter crescido em Tarso (porto grego e detentora de uma famosa academia) ou em Jerusalém (capital da Judéia e cidade cosmopolita), devido à política de instalação de escolas Romanas nas províncias, para que os “patrícios” pudessem estudar. Imperiais. Essas escolas são de dois graus: elementares - a escola do litterator - onde se aprendia a ler, escrever e calcular; médias - a escola do grammaticus - onde se ensinava a língua latina e a grega, se estudavam os autores das duas literaturas, através das quais se aprendia a cultura helênica em geral. Um terceiro grau será, enfim, constituído mediante as escolas de retórica, uma espécie de institutos universitários, que surgem com uma diferenciação e uma especialização superior da escola de gramática. A sua finalidade era formar o orador, porquanto a carreira política representava, para o espírito prático romano, o ideal supremo. É, portanto, o ensino da eloqüência abrangia toda a cultura, do direito até à filosofia. Paulo deve ter estudado pelo menos na primeira e na segunda escola, dedicando parte do seu tempo a assegurar a sua condição de cidadão romano.

IDA DE PAULO
Depois deste dois a pontos vamos analisar o ministério de Paulo do ponto de vista das fases da vida de Paulo. Muitos estudiosos têm datado a vida de Paulo da seguinte forma:

CRONOLOGIA DA VIDA DE PAULO
DATA APROXIMADA FATO OU LOCALIDADE VISITADA
o   Entre 5 a.C. e 15 d.C. - Nascimento de Paulo na cidade de Tarso (At 21.37-40)
o   Circuncisão em Jerusalém com 8 dias (Fil 3.4-6)
o   Entre 1 a 32 d.C. pouco ou nada se sabe ate seu aparecimento como perseguidor de Cristãos.
o   Entre 32 à 34 d.C. – Perseguidor dos Cristãos (At 8.1-3 e Gal 1.13-14)
o   Ano 33 ou 34 - Conversão (At 9.3-8)
o   Entre 33 e 36 - Deserto da Arábia (Gl 1.16-18)
o   Ano 36 - Primeira visita a Jerusalém (At 9.26-30)
o   Entre 36 e 46 - Síria, Cilícia (principalmente Tarso, At 9.30)
o   Entre 46 e 47 - Antioquia da Síria (At 11.25-26)
o   47 - Segunda visita a Jerusalém (At 15.4-6 e Gl 2.1-4)
o   47 - Antioquia da Síria (At 15.35-36)
o   47 a 49 - Primeira viagem missionária (At 13:1-4)
o   49 - Terceira visita a Jerusalém (Atos 18.22)
o   50 a 52 - Segunda viagem missionária (At 15.40 e 41 -18.21)
o   53 a 58 - Terceira viagem missionária (At 19 e 20)
o   58 - Quarta visita a Jerusalém (At 21.28-40)
o   58 a 59 - Prisão em Cesárea (At 23.33-35)
o   60 a 62 - Prisão em Roma (acaba a narrativa de Atos, At 28.30-31)
o   63 a 66 - Liberdade ou prisão domiciliar (???)
o   67 - Morte em Roma

Assim, podemos dividir a vida de Paulo em quatro fases distintas: Saulo (o Fariseu), Paulo (convertido), Paulo (Missionário) e Paulo (o prisioneiro).

SAULO (O FARISEU)
Podemos ver várias situações muito interessantes nesta fase da vida de Paulo, ele foi contemporâneo de Cristo, viu a prisão e o martírio de vários cristãos. Uma analise da passagem que narra à morte de Estevão (At 7.54-60 e 8.1) nos deixa claro que Saulo estava ali, não como mero observador passivo, mas como representante do Sinédrio. Os homens, “depositaram sua capas aos pés de Saulo” (At 7.58), e tinha o poder de impedir que Estevão fosse morto, “consentiu na morte dele” (At 8.1), só pode consentir quem tem poder para impedir. Logo depois vemos Saulo, como perseguidor comissionado pelo Sinédrio (At 8.1-8 e 9.1-3) Fica claro que os judeus (do Sínedrio) achavam Saulo capaz de levar a frente uma operação de caçada aos crentes em Cristo, baseado em seus conhecimentos da Lei, do nascente cristianismo e da lei de Roma. Este Saulo é que vai encontrar a Cristo no caminho de Damasco.

PAULO (O CONVERTIDO)

O Judeu Grego Saulo Paulo vai ficar aproximadamente 11-14 anos se preparando e esperando do Senhor o cumprimento de sua comissão (At 9.15-16), talvez este tenha sido o tempo necessário para ele reavaliar toda a informação obtida ao longo dos anos e adequá-la a nova realidade, Jesus era o prometido e esperado messias. Depois deste tempo ele inicia a sua primeira viagem com Barnabé, para pregar as boas novas aos seus irmãos (judeus) espalhados pelo império romano.


Texto extraido do CURSO EVANGELIZAÇÃO MUNDIAL
Realizado na Sede Brasileira da Cristian Aid.
drrubecy@hotmail.com

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