SOMOS MISSIONÁRIOS OU DEMISSIONÁRIOS?
Uma vez fui convidado a trazer uma mensagem missionária num culto a noite em uma grande Igreja de subúrbio do Rio de Janeiro. Era uma programação de Conferencia Missionária. Havia centenas de pessoas presentes e depois de quase uma hora e meia entre musicas, apresentações de grupos e avisos, recebi a palavra para falar sobre o tema: Evangelização Mundial - nosso desafio. Eu naquela ocasião, presidente de uma agência missionária que hoje não atua mais no Brasil depois de um intenso trabalho de mais de dez anos promovendo as missões mais estratégicas e eficazes da atualidade. De acordo com o relógio, pelo tempo "regulamentar", só restava pouco mais de trinta e cinco minutos para tratar de desafiar aquelas pessoas ou pelo menos explicar porque nossa missão não enviava missionários de modo transcultural. Pretendia no escopo do tema mostrar como é muito mais bíblico e eficaz apoiar financeiramente os da terra ou autóctones Eu trazia comigo uma bagagem de mais de 25 anos lidando com agências missionárias e de trabalhos de evangelização em países fechados, sem falar do dia a dia com missionários de mais de mais de 40 missões transculturais de diversas denominações por cerca de 20 anos devido ao meu trabalho como dentista destes missionários aqui no Brasil.
O meu coração naquele momento estava muito cheio de entusiasmo para compartilhar com toda firmeza as fotos que trazia mostrando os ministérios chineses, nepalenses, indianos, e de áreas de altíssima perseguição quando recebi a noticia de que eu teria a mais, exíguos quinze minutos! Com um sorriso fui apresentado pelo dirigente que me anunciava e ao mesmo tempo pedia desculpas pelo avançar da hora, o eu que recebi como uma confirmação de que eu deveria ser bem breve na minha explanação. Devolvi o sorriso, saudei a todos e pedi aos ouvintes que curvassem as cabeças em oração. Foi o suficiente para que naqueles 60 segundos de oração a mensagem fosse totalmente mudada em meu coração. Desisti de falar do trabalho que a missão fazia porque percebi que o povo que ali estava não teria nenhuma visão do trabalho se não lhes falasse antes do nosso verdadeiro e primordial compromisso de compartilhar Cristo a partir de onde estamos. De onde estamos! De onde estamos, repito. A partir de onde estamos! Precisava explicar que temos que ser bons despenseiros de Cristo onde estamos. Alguém que é resgatado do mundo anseia em resgatar outros e cooperar nesta tarefa de anunciar diariamente o nome bendito do Salvador, e isto é algo natural.
Quando trazemos a alguém o conhecimento do evangelho ou discipulamos um novo cristão em nossa língua, isto representa uma enorme benção, não só pelo fato em si, mas, todos sabemos o que isto representa em termos de batalha espiritual e quão difícil será a tarefa de fazê-lo crescer na fé até que ele possa caminhar sozinho. Poucos que são enviados de sua terra a outro pais para pregar tem minima ideia do que representará e quantas centenas de vezes mais difícil será até que estejam prontos para fazer o que já é difícil por aqui. Pregar de modo eficiente em outra cultura ou idioma é um seriíssimo desafio a curto, médio e longo prazo. Se ainda não tiveram esta experiencia de modo real e bem prático por aqui, não devem ser enviados para falar do amor de Deus em uma cultura que rejeita ou em que os conceitos de vida e família são opostos ou indiferentes aos nossos valores sob pena de total e certo fracasso para todos. Se onde vivemos não temos esta vivencia ou ainda não nos tocou um incomodo intenso de falar do amor de Deus incessante ou nunca isto nos inflamou, como é que iremos realizar um trabalho em terras distantes fazendo justamente isto, onde a cultura nos oprime, a língua nos limita e a perseguição faz os poucos que alcançarmos sozinhos se perderem como as sementes lançadas onde as aves do céu comem? Quem enviará para terras distantes, a um custo e riscos tão altos se nem ao menos os seus dons da pregação e discipulado não foram desenvolvidos? Foi pensando neste ponto que eu abri a Escritura em Mateus 5 no relato do envio ao seu próprio povo, do novo convertido ex-endemoninhado gadareno; isto foi feito pelo próprio Senhor Jesus! A mensagem era aquela naquele dia.
O texto diz que este homem após ser liberto por Jesus, quis imediatamente sair pregando com seu Salvador e Libertador e anunciar ao mundo o que experimentara. Mas a economia e cosmovisão divinas muito mais eficaz do que nossos projetos e sonhos rejeitou totalmente a oferta missionária e sentido de "chamado" daquele homem. Jesus o envia ao seu próprio povo para que ele pregasse o que ocorrera com ele. Aquele povo, os gadarenos, não conheciam Jesus e agora o temiam de modo assombroso pois ele havia expulso uma entidade tão terrível que eles só poderiam pensar que Jesus era maior e muito pior. Jesus então envia quele homem para que preparasse o caminho para o Evangelho chegar em profundidade.
Ao obedecer ao Mestre este homem foi um cooperador tão mais útil do que se seguisse com Jesus, ainda que seu testemunho fosse sobremodo maravilhoso e sua conversão verdadeira. Ele precisava acima de tudo depois de crer e obedecer, crescer na fé entre o seu povo. Tinha que começar a obra de Evangelizar o Mundo a partir de onde ele estava.
Todo este esboço estava pronto em minutos em minha mente e então comecei como gosto de fazer, com uma pergunta: Quantos aqui são "missionários"? Somente duas pessoas levantaram uma das mãos. Repeti a pergunta e mais uma pessoa levantou uma de suas mãos. Agora já eram três "missionários" ali entre centenas e então eu perguntei aos outros: o que vocês são? Quem não é "missionário" aqui o que é, ou o que está fazendo? O silencio confirmou o que eu já esperava. Não faziam nada. A maioria só esta acostumada a assistir pregações e ouvir e cantar musicas como louvores a Deus, mas em suas vidas não produzem nada para a promoção do crescimento do nome de Jesus. Prossegui então dizendo: Quem está aqui e não é um missionário não tem compromisso com a causa! Porque um missionário é alguém que está envolvido em alguma causa ou missão. Os outros, se não são missionários então estão desocupados! Por isto são demissionários, estão todos demitidos. Já podem ir embora para casa pois não vão fazer falta nenhuma. Iniciei a palavra aos corações e foi uma noite muito renovadora e despertadora. Muitos ao final na porta me disseram que a partir daquela data seriam mais comprometidos com a pregação da mensagem do Evangelho.
A maioria absoluta dos crentes nas milhares comunidades cristãs não está envolvida com nada na evangelização do mundo ou em anunciar o nome de Cristo e só se limitam em dar dinheiro ou olhar os programas litúrgicos que já sabem de cor. Buscam locais de reunião que os faça saciar, mas não oferecem o nome de Jesus ao mundo. O crente que sabe para o que foi resgatado sabe que tem um compromisso, ou seja, uma missão. A partir de onde ele está ele precisa anunciar a morte e ressurreição do Senhor até que ele venha. Se anunciar a partir de onde está e todos fizerem o mesmo, a verdade crescerá mais rápido pois o evangelho do Reino será pregado a toda etnia em toda parte. Muitos porém se sentem "chamados" como este homem que Jesus libertou e pensam que ser chamado é para sair de onde está; a maioria das vezes é pregue a partir de onde estás.
O objetivo deste blog é mostrar de modo simples e eficiente como podemos completar a tarefa de alcançar o mundo sem o romantismo dos cultos e cursos de missões. Apenas cumprindo a cooperação que é a maior e mais abrangente tarefa para nós, realmente estaremos ajudando o Senhor a alcançar os povos ainda não plenamente visitados pelo Evangelho. Pregando onde estamos e enviando recursos as missões entre os povos menos alcançados fazemos nossa tarefa e não seremos demissionários.
A partir de onde estamos podemos promover o evangelho enviando o que não há - recursos - para os que estão nos lugares mais difíceis de se pregar.
Dr. Rubecy F. de Oliveira
Contato - envie e-mail para drrubecy@hotmail.com
O meu coração naquele momento estava muito cheio de entusiasmo para compartilhar com toda firmeza as fotos que trazia mostrando os ministérios chineses, nepalenses, indianos, e de áreas de altíssima perseguição quando recebi a noticia de que eu teria a mais, exíguos quinze minutos! Com um sorriso fui apresentado pelo dirigente que me anunciava e ao mesmo tempo pedia desculpas pelo avançar da hora, o eu que recebi como uma confirmação de que eu deveria ser bem breve na minha explanação. Devolvi o sorriso, saudei a todos e pedi aos ouvintes que curvassem as cabeças em oração. Foi o suficiente para que naqueles 60 segundos de oração a mensagem fosse totalmente mudada em meu coração. Desisti de falar do trabalho que a missão fazia porque percebi que o povo que ali estava não teria nenhuma visão do trabalho se não lhes falasse antes do nosso verdadeiro e primordial compromisso de compartilhar Cristo a partir de onde estamos. De onde estamos! De onde estamos, repito. A partir de onde estamos! Precisava explicar que temos que ser bons despenseiros de Cristo onde estamos. Alguém que é resgatado do mundo anseia em resgatar outros e cooperar nesta tarefa de anunciar diariamente o nome bendito do Salvador, e isto é algo natural.
Quando trazemos a alguém o conhecimento do evangelho ou discipulamos um novo cristão em nossa língua, isto representa uma enorme benção, não só pelo fato em si, mas, todos sabemos o que isto representa em termos de batalha espiritual e quão difícil será a tarefa de fazê-lo crescer na fé até que ele possa caminhar sozinho. Poucos que são enviados de sua terra a outro pais para pregar tem minima ideia do que representará e quantas centenas de vezes mais difícil será até que estejam prontos para fazer o que já é difícil por aqui. Pregar de modo eficiente em outra cultura ou idioma é um seriíssimo desafio a curto, médio e longo prazo. Se ainda não tiveram esta experiencia de modo real e bem prático por aqui, não devem ser enviados para falar do amor de Deus em uma cultura que rejeita ou em que os conceitos de vida e família são opostos ou indiferentes aos nossos valores sob pena de total e certo fracasso para todos. Se onde vivemos não temos esta vivencia ou ainda não nos tocou um incomodo intenso de falar do amor de Deus incessante ou nunca isto nos inflamou, como é que iremos realizar um trabalho em terras distantes fazendo justamente isto, onde a cultura nos oprime, a língua nos limita e a perseguição faz os poucos que alcançarmos sozinhos se perderem como as sementes lançadas onde as aves do céu comem? Quem enviará para terras distantes, a um custo e riscos tão altos se nem ao menos os seus dons da pregação e discipulado não foram desenvolvidos? Foi pensando neste ponto que eu abri a Escritura em Mateus 5 no relato do envio ao seu próprio povo, do novo convertido ex-endemoninhado gadareno; isto foi feito pelo próprio Senhor Jesus! A mensagem era aquela naquele dia.
O texto diz que este homem após ser liberto por Jesus, quis imediatamente sair pregando com seu Salvador e Libertador e anunciar ao mundo o que experimentara. Mas a economia e cosmovisão divinas muito mais eficaz do que nossos projetos e sonhos rejeitou totalmente a oferta missionária e sentido de "chamado" daquele homem. Jesus o envia ao seu próprio povo para que ele pregasse o que ocorrera com ele. Aquele povo, os gadarenos, não conheciam Jesus e agora o temiam de modo assombroso pois ele havia expulso uma entidade tão terrível que eles só poderiam pensar que Jesus era maior e muito pior. Jesus então envia quele homem para que preparasse o caminho para o Evangelho chegar em profundidade.
Ao obedecer ao Mestre este homem foi um cooperador tão mais útil do que se seguisse com Jesus, ainda que seu testemunho fosse sobremodo maravilhoso e sua conversão verdadeira. Ele precisava acima de tudo depois de crer e obedecer, crescer na fé entre o seu povo. Tinha que começar a obra de Evangelizar o Mundo a partir de onde ele estava.
Todo este esboço estava pronto em minutos em minha mente e então comecei como gosto de fazer, com uma pergunta: Quantos aqui são "missionários"? Somente duas pessoas levantaram uma das mãos. Repeti a pergunta e mais uma pessoa levantou uma de suas mãos. Agora já eram três "missionários" ali entre centenas e então eu perguntei aos outros: o que vocês são? Quem não é "missionário" aqui o que é, ou o que está fazendo? O silencio confirmou o que eu já esperava. Não faziam nada. A maioria só esta acostumada a assistir pregações e ouvir e cantar musicas como louvores a Deus, mas em suas vidas não produzem nada para a promoção do crescimento do nome de Jesus. Prossegui então dizendo: Quem está aqui e não é um missionário não tem compromisso com a causa! Porque um missionário é alguém que está envolvido em alguma causa ou missão. Os outros, se não são missionários então estão desocupados! Por isto são demissionários, estão todos demitidos. Já podem ir embora para casa pois não vão fazer falta nenhuma. Iniciei a palavra aos corações e foi uma noite muito renovadora e despertadora. Muitos ao final na porta me disseram que a partir daquela data seriam mais comprometidos com a pregação da mensagem do Evangelho.
A maioria absoluta dos crentes nas milhares comunidades cristãs não está envolvida com nada na evangelização do mundo ou em anunciar o nome de Cristo e só se limitam em dar dinheiro ou olhar os programas litúrgicos que já sabem de cor. Buscam locais de reunião que os faça saciar, mas não oferecem o nome de Jesus ao mundo. O crente que sabe para o que foi resgatado sabe que tem um compromisso, ou seja, uma missão. A partir de onde ele está ele precisa anunciar a morte e ressurreição do Senhor até que ele venha. Se anunciar a partir de onde está e todos fizerem o mesmo, a verdade crescerá mais rápido pois o evangelho do Reino será pregado a toda etnia em toda parte. Muitos porém se sentem "chamados" como este homem que Jesus libertou e pensam que ser chamado é para sair de onde está; a maioria das vezes é pregue a partir de onde estás.
O objetivo deste blog é mostrar de modo simples e eficiente como podemos completar a tarefa de alcançar o mundo sem o romantismo dos cultos e cursos de missões. Apenas cumprindo a cooperação que é a maior e mais abrangente tarefa para nós, realmente estaremos ajudando o Senhor a alcançar os povos ainda não plenamente visitados pelo Evangelho. Pregando onde estamos e enviando recursos as missões entre os povos menos alcançados fazemos nossa tarefa e não seremos demissionários.
A partir de onde estamos podemos promover o evangelho enviando o que não há - recursos - para os que estão nos lugares mais difíceis de se pregar.
Dr. Rubecy F. de Oliveira
Contato - envie e-mail para drrubecy@hotmail.com