DEZ RAZÕES PORQUE OS NATIVOS SÃO MELHORES DO QUE OS ESTRANGEIROS
Por Pieter Vermeulen, África do Sul
para a revista Christian Mission
para a revista Christian Mission
Moro no assim chamado terceiro-mundo, África. Nasci aqui e gosto de morar aqui. Nos últimos seis anos estive envolvido no trabalho missionário entre as tribos nativas e entre muçumanos em toda a África.
Eu louvo a Deus por todos os missionários que têm vindo para a África com a atitude de Cristo (Filipenses 2:3-8). Eles têm sofrido muito e doado muito. Alguns de nós somos frutos de seu abnegado ministério. Mas, agora, ao final do século vinte, eu gostaria de propor um caminho melhor, qual seja o sustento dos missionários autóctones, ou seja, da própria terra.
O sustento de missionários autóctones faz sentido porque eles são:
1. Culturalmente sensíveis - Ao contrário do missionário estrangeiro, os missionários que servem em sua terra natal são culturalmente condicionados e sensíveis aos costumes do seu próprio povo. Eles têm passado toda a vida assimilando a cultura do povo que procuram alcançar com o Evangelho. Eles se movem em sua própria cultura como com um peixe dentro d’água. Eles não sofrem um “choque cultural” e não necessitam de um treinamento transcultural especial e preparação antes de começarem seu ministério. Em contrapartida, os missionários estrangeiros gastam anos só em treinamento para entender o povo de uma outra cultura estranha à sua, antes de poderem efetivamente relacionar-se com ele.
Os obreiros nativos têm um conhecimento natural sobre a história, a religião e a estrutura política de sua nação. Assim, eles não correm o risco de inadvertidamente ofenderem as pessoas devido à ignorância ou à insensibilidade cultural. Tampouco eles podem ser rotulados de “espiões estrangeiros”, nem deportados por razões políticas.
Eles não têm de ser “perfeitos” antes de assumirem responsabilidades. Apesar da fraqueza dos cretenses, Paulo deixou Tito em Creta para estabelecer alguns deles em posições de liderança na igreja (Tito 1:5, 12). Ousamos nós fazer o mesmo hoje?
2. Lingüisticamente superiores - Os missionários autóctones não têm necessidade de gastar anos de estudos numa escola de idiomas a fim de se comunicarem eficazmente. Normalmente, em sua juventude, eles aprendem mais de uma língua e podem ministrar na língua materna. Eles estão aptos a interpretar a Palavra de Deus nas experiências cotidianas de seu povo.
3. Educacionalmente adaptados - Missionários da Europa e da América do Norte vêm com anos de treinamento teológico que freqüentemente criam uma barreira entre eles e as pessoas comuns. Alguns líderes cristãos do terceiro mundo que foram estudar fora, ou cursaram faculdades e universidades em sua própria terra, imitam o modelo cultural da Europa, E.U.A. e Canadá desenvolvem uma atitude “intelectual superior” que os leva a perder o contato com seu próprio povo.
Eu não defendo a falta de estudo. Simplesmente mostro que o tipo de treinamento é tão importante quanto o conteúdo. A maioria dos obreiros nativos evita este problema, pois eles, como os apóstolos de Jesus e os discípulos de Paulo, recebem seu treinamentono campo” (Marcos 3:13-15). Eles estudam na escola da experiência, da tribulação e da privação! E, freqüentemente, com um mestre experimentado.
Cristo ensinou Paulo... Paulo ensinou Timóteo... Timóteo ensinou outros homens “cheios de fé... os quais puderam ensinar também a outros”. (2 Timóteo 2: 2). Cada um reproduziu reprodutores! A preocupação de Jesus e de Paulo era a qualidade espiritual de vida e de atuação prática mais que o treinamento teológico e as credenciais acadêmicas.
4. Fisicamente compatíveis - Missionários do mesmo país obviamente têm uma aparência física mais semelhante a do povo a qual ministram do que os missionários estrangeiros. Eles não “sobressaem” como um estrangeiro.
Uma vez que nasceram e foram criados na terra, eles naturalmente já desenvolveram imunidades a muitas das doenças que imobilizam missionários estrangeiros. Além disso, o clima local causa poucos problemas aos obreiros autóctones, pois eles estão aclimatados às condições locais. Alimentos étnicos os quais podem ser estranhos e desagradáveis para um estrangeiro são comidos com entusiasmo por eles.
5. Socialmente solidários - Missionários nativos são mais capazes de viver no mesmo nível que as pessoas para quem ministram. Eles não precisam viver afastados de seu próprio povo, isolados na sede da missão e sendo vistos pelos compatriotas como “estrangeiros ricos” ou membros de uma “elite cultural”. Para eles, viver como o resto do povo normalmente requer pouca ou nenhuma mudança das condições de vida. Assim, eles têm grande identidade e empatia com as condições sociais do povo.
6. Politicamente seguros -Sendo cidadãos natos do país onde servem, eles têm direitos e privilégios que podem não ser estendidos aos estrangeiros. Podem votar nas eleições, participar de encontros tribais e emitir opiniões na assembléia de anciãos da aldeia. Além do mais, não têm problemas de imigração e não têm necessidade de passaportes ou de vistos para viajar.
Eles estão livres de serem acusados de “agente estrangeiro”, “espião”, ou “intruso”. Podem ser perseguidos, presos ou mortos por causa de sua fé, mas nunca serão deportados como estrangeiros. Eles permanecem servindo durante a guerra, a revolução ou a reviravolta política.
7. Pastoralmente constantes - Ao contrário dos missionários estrangeiros, os líderes nativos não necessitam de licenças periódicas para descansar e “fazer representação”. Não existe separação periódica de suas famílias enquanto eles vão e voltam entre o campo missionário e a casa. Eles podem estar consistentemente disponíveis para seu povo, enquanto o missionário estrangeiro não pode. Geralmente não existe quebra de continuidade do ministério, testemunho e discipulado de tempos em tempos. Eles ministram ininterruptamente durante todo o tempo em que estão sendo sustentados.
8. Espiritualmente fortes - Missionários autóctones têm um zelo natural e uma intensa paixão pela salvação de seu próprio povo que os estrangeiros não têm. Eles normalmente sabem como melhor apresentar Cristo e o Evangelho para seus compatriotas. Eles podem freqüentemente melhor perceber a “ponte cultural” que existe entre seu povo e o Evangelho. Compreensivelmente, um hindu convertido pode melhor alcançar outros hindus, um mulçumano convertido pode melhor alcançar outros mulçumanos, e um africano convertido pode melhor alcançar aqueles que praticam as religiões africanas.
CONCLUSÕES
Os missionários autóctones então, podem geralmente realizar a obra de missões e de plantação de igrejas em seu próprio país mais eficazmente que os estrangeiros podem. O obreiro nativo de modo algum é perfeito, mas ainda assim ele é muito mais eficiente e eficaz. A grande questão é: Irão as igrejas na América aproveitar a atual oportunidade e dar maior suporte para os missionários autóctones?
Pieter Vermeulen obteve sua Licenciatura em Teologia pela Faculdade Batista da Cidade do Cabo (Cape Town Baptiste College) em 1993 e seu mestrado em Teologia pela Universidade de Stellenbosh em Março de 1996. Durante seus anos de faculdade ele começou levando o Evangelho ao povo não alcançado de Xhosa no Vale Kuga de Transkei. Desde então ele tem ministrado para os Sutos em Lesotho e tem ajudado a trazer o curso de treinamento bíblico para pastores para os obreiros em Gana, Kenya, Zimbawe e Zâmbia. Ele vive em Hermanus, África do Sul, com sua esposa Janine, que é enfermeira. Ele fala Inglês, Alemão, Benelux e alguma coisa de Xhosa. É também formado em Hebraico e Grego. Recentemente ele compartilhou sua visão sobre missões com a Christian Aid.
Texto extraido do CURSO EVANGELIZAÇÃO MUNDIAL
Ministrado pelo Pr. Dr. Rubecy Ferreira de Oliveira
Realizado na Sede Brasileira da Cristian Aid.
drrubecy@hotmail.com
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